Drogas alteradoras do humor produzem modificações no
cérebro que alteram o seu funcionamento. O cérebro é
composto de milhões de células que se comunicam umas com as
outras e com o resto do corpo, enviando e recebendo mensagens químicas.
Estas células cerebrais contêm mensageiros químicos, chamados
neurotransmissores, que são lançados, milhares de vezes a cada
segundo, e depois voltam às células cerebrais das quais foram
descarregados, onde serão ainda usados novamente para levar outras
mensagens. Cada célula cerebral tem um balanço especifico que
varia de pessoa para pessoa. O balanço de neurotransmissores de cada
indivíduo fornece a base química para sua personalidade, habilidades
e capacidade de superar dificuldades físicas e psicológicas.
Somente quando o balanço é mantido, podemos nos lembrar, concentrar-nos,
aprender, coordenar e competir plenamente.Uma vez alterada a função
do cérebro, a pessoa experimenta mudanças físicas, emocionais
e comportamentais.
Substâncias psicoativas, portanto, tem o poder de alterar
o pensamento, danificar a mente e o corpo e afetar o comportamento e os relacionamentos.
Com atração e afinidade pela mente, agem sobre o sistema nervoso
central e particularmente sobre o cérebro. Os novos conceitos sobre
dependência química ensinam que não há drogas pesadas
do ponto de vista do desencadeamento da doença. Da nicotina ao álcool,
passando por maconha, cocaína, crack
e psicotrópicos, todas as drogas apresentam-se como poderosos indutores
da dependência. Elas dispõem de uma propriedade comum sobre o
cérebro que é a de produzir uma recompensa essencialmente prazerosa
no inicio de seu uso, desencadeando a ação repetitiva e levando
com o tempo à dependência química.
Desenvolver a dependência química, e qual o tempo que isso leva,
dependem da droga utilizada e da pessoa que a utiliza. Assim como em qualquer
outra questão que envolve saúde, o grau de vulnerabilidade de
uma pessoa a desenvolver dependência química depende de certos
fatores predisponentes pessoais, do meio ambiente e do químico de escolha.
A dependência química pode ocorrer quando alguém de algum
modo, ultrapassa o seu limiar invisível, liberando um tipo de resposta
bioquímica no cérebro através do consumo repetitivo da
substância psicoativa.
Embora a dependência química seja reconhecida
como uma síndrome pela maioria das associações médicas
internacionais, e o alcoolismo, declarado como doença pela Organização
Mundial da Saúde, ainda hoje no Brasil vigoram polêmicas a respeito.
Mesmo entre aqueles que aceitam a dependência química como doença
ou síndrome, ainda existe a crença incorreta de que a sua causa
primária seja somente psicológica ou psiquiátrica. Pesquisas
recentes nos levam à compreensão dos motivos que levam algumas
pessoas a desenvolverem a dependência. Sabe-se que uma parte da resposta
se encontra na genética. Cada pessoa tem uma constituição
química e genética particular. Isto pode afetar a maneira como
uma droga age sobre o cérebro da pessoa. Talvez afete também
a velocidade com que o cérebro restabelece seu nível químico
depois que as drogas são tomadas. Da mesma forma que a constituição
genética leva as pessoas a terem olhos azuis ou castanhos, podem também
levá-las a se tornarem dependentes. Por exemplo: mais filhos de alcoólatras
tornam-se dependentes de drogas do que filhos de pais não alcoólatras.
Quase 95 % dos usuários de cocaína e 80 % dos alcoólatras
são filhos de pais dependentes químicos. Mesmo quando os filhos
de pais dependentes químicos são separados dos pais na hora
em que nascem, eles desenvolvem a dependência química
com o mesmo índice alto. Isto é uma evidência que a causa
da adicção supera o ambiente do lar.
Outra razão pela qual algumas pessoas se tornam dependentes encontra-se
na atitude da sociedade. A propaganda, a TV, os filmes, os amigos e muitas
vezes os pais transmitem mensagens do tipo: "Se você estiver cansado
tome um Valium ou um Lorax". Pessoas de todas as idades, classes socioeconômicas
e culturais usam álcool e drogas por duas razões: para aumentar
o prazer ou para enfrentar ou esquecer a dor emocional e os sentimentos desconfortáveis.
Para se compreender a natureza da dependência química é
necessário conhecer os efe0itos da tolerância no organismo. O
corpo considera veneno qualquer droga que ingere. Vários órgãos,
principalmente o fígado e os rins, tentam eliminar a substância
química antes que cause muito dano. Mas o uso de droga, por período
constante, força o corpo a mudar, adaptar-se e a desenvolver tolerância.
A tolerância é a capacidade do organismo em adaptar-se ao uso
de substâncias psicoativas de tal modo que o efeito buscado diminui.
Assim, para sentir o mesmo bem estar, o usuário aumenta a quantidade
que usa a cada vez. Às vezes chega a usar doses enormes capazes de
matar uma pessoa normal. Nesta etapa, a falta da droga poderá resultar
no que se chama Síndrome de Abstinência Aguda, causando grande
desconforto físico e emocional. Parte é criada pelos danos físicos
e pela necessidade da substância psicoativa. Parte da dor é causada
pela reação psicológica de perder o principal método
de lidar com a vida. E parte é social, causada pela separação
de uma maneira de viver centrada na dependência química.
AS
FASES DA ADICÇÃO E SUAS CARACTERÍSTICAS
1ª Fase USO SOCIAL
· Aprendizado da alteração do humor (normal - eufórico)
· Periodicidade de consumo regular
· "Ressacas" ocasionais
· Experiência emocionalmente positiva e gratificante
2ª Fase MANIFESTAÇÃO DA DEPENDÊNCIA
· Desenvolvimento da tolerância ao químico
· Busca da normalização do estado de humor (depressivo
- normal)
· Aumento da quantidade de uso
· Primeiros lapsos de memória
· Queda da produtividade/rendimento no trabalho/escola
· Dificuldades no relacionamento interpessoal
· "Ressacas" cada vez mais freqüentes
· Isolamento e grande sofrimento emocional
3ª Fase - ADICÇÃO TOTAL
· Dependência física · Necessidade de manter certa
quantidade do
químico no organismo para evitar "abstinência"
· Alucinações · Profundas depressões do
humor
· Baixa auto-estima
· Idéias fixas de suicídio

