
1. A oportunidade surgiu e o jovem experimentou.
O fato de um jovem experimentar drogas não faz dele um dependente.
Porém, mesmo experiências aparentemente inocentes podem resultar
em problemas (com a lei, por exemplo). Um jovem que usou drogas passa a ser
tratado muitas vezes como "drogado" por seus pais ou professores.
O excesso de preocupação com o uso experimental de drogas pode
tornar-se muito mais perigoso do que o uso de drogas em si.
Diante dessa situação os pais não se devem desesperar. Reagir com agressividade e com violência pode até mesmo empurrar o jovem para o abuso e a dependência de drogas. Os pais devem alertá-lo sobre possíveis riscos e, se possível, conversar francamente sobre o assunto, aproveitando a oportunidade.
2. O uso de drogas pode ser visto como algo excitante e ousado pelos jovens.
Cabe aos adultos alertar os jovens sobre os riscos relacionados com o uso
de drogas. Entretanto, muitas vezes são justamente os riscos envolvidos
que podem exercer atração sobre eles. Esta é uma das
críticas que são feitas às campanhas antidrogas de caráter
amedrontador, que exageram os riscos.
Assim, quando se falar em riscos, a informação deverá
ser objetiva, direta e precisa, caso contrário o efeito poderá
até mesmo ser oposto ao desejado. Grande parte dos jovens conhece pessoas
que usam maconha e que nunca se interessaram por outras drogas. Para eles,
a afirmação de que "a maconha é a porta de entrada..."
pode soar mentirosa e, como conseqüência, deixarão de ouvir
os adultos em assuntos realmente importantes. Por outro lado, se o jovem que
ouve essa afirmação nunca experimentou drogas e pouco conhece
do assunto, ele pode ficar muito curioso, principalmente porque para os adolescentes
assumir riscos faz parte do jogo, em que o próprio risco é transformado
em desafio.
Por exemplo, alertar os jovens sobre os riscos de se consumir bebida alcoólica
e depois sair dirigindo pode ser feito de forma clara, precisa e objetiva.
Isso é muito mais educativo do que discursos dramáticos e aterrorizantes
sobre os malefícios do álcool. Dizer de outra forma, tentar
exagerar os riscos e perigos pode ser um estímulo ao uso de drogas,
principalmente para os jovens.
3. As drogas podem modificar o que sentimos. Esse poder de transformação das emoções pode se tornar um grande atrativo, sobretudo para os jovens.
A melhor maneira de tentar neutralizar a atração que as drogas
exercem seria estimular os jovens a experimentar formas não-químicas
de obtenção de prazer. Os "baratos" podem ser obtidos
através de atividades artísticas, esportivas, etc. Cabe aos
adultos tentar conhecer melhor os jovens para estimulá-los a experimentar
formas mais criativas de obter prazer e sensações intensas.
Embora a "pressão do grupo" tenha influência, sabemos
que a maioria dos grupos tem um discurso contrário às drogas;
mesmo assim, alguns jovens acabam se envolvendo. Mais importante do que estar
em acordo com o grupo é estar bem consigo mesmo. Os jovens que dependem
exageradamente da aprovação do grupo são justamente aqueles
que têm outros tipos de problemas (por exemplo, sentem-se pouco amados
pelos pais, deslocados, pouco atraentes, etc.).
5. O uso de drogas pode ser uma tentativa de amenizar sentimentos de solidão, de inadequação, baixa auto-estima ou falta de confiança.
Nesses casos, é importante tentar ajudar o jovem a superar as dificuldades
sem a necessidade de recorrer às drogas. Os pais devem dar segurança
para seus filhos através do afeto. Eles devem se sentir amados, apesar
de seus defeitos ou de suas dificuldades.
6. Mas não existe uma pressão externa para consumir drogas?
Sim, essa pressão certamente existe. Nossa sociedade tem como um de
seus maiores objetivos a felicidade. O grande problema é que tristeza,
descontentamento e solidão passam a ser vistos como situações
a serem eliminadas, quando, na verdade, elas fazem parte da vida e devem ser
compreendidas e transformadas. Desde muito cedo, as crianças têm
um modelo de felicidade diretamente ligado ao consumismo: o que podemos comprar
poderá nos trazer satisfação e felicidade. As propagandas
de álcool, cigarro e chocolate veiculam esse modelo, para vender seus
produtos. A crença ingênua de que "podemos comprar a felicidade"
e de que "tristeza e solidão devem ser evitadas a qualquer preço"
constituem o mesmo padrão de relação que os dependentes
(consumidores) estabelecem com as drogas (produtos). Nesse sentido, podemos
dizer que os "drogados" estão apenas repetindo o modelo de
sociedade que lhes oferecemos.
Consumir drogas é uma forma de obtenção de prazer. Isso não pode ser negado. Devemos ter em mente que existem maneiras de se obter prazer cujo preço a pagar pode ser muito alto.